domingo, 17 de outubro de 2010

Ronaldo e a incoerência

Já estava de olho no cara que eu vou falar nesse post fazia um tempo, mas como tive algumas distrações, ele estava jogado pra escanteio.
Era fim de noite já e eu e parceira dessa blog estávamos jogadas nas cadeiras da boate (nas últimas mesmo) observando os poucos sobreviventes que ainda dançavam. Eis que uma menina (e QUE energia tinha essa mulher, ela continuava a se sacudir inteira dançando na maior animação) estendeu sua mão e nos chamou para se juntar a ela. Fez o pedido na maior simpatia e eu não pude negar, fiz um esforço pra me levantar.
E quando me levanto, que surpresinha mais linda! O raparigo do primeiro parágrafo estava na mesma rodinha que a menina que nos convidou para dançar. Reparei que ele estava me olhando e soltei um sorrisinho. Porém, apesar das olhadas, ele não se mobilizou mais e eu já estava ficando murchinha quando Lucy resolveu tomar uma atitude.
O tal homem, que chamarei de Ronaldo nessa post, tem uma banda conhecidinha no meu meio, digamos assim. Lucy já comentou que tem problemas cardíacos com músicos, não? Então, somos duas. Mas enfim, ela foi parabenizá-lo pelo bom som e eu aproveitei o pretexto para falar com ele.
- Ah, você é da banda x? A Lucy me mostrou uma vez, vocês são bons!
Ele se aproximou e usou o som alto para falar comigo mais perto que o necessário. Fez o modesto por um tempinho, me deu uns sorrisinhos e ficou tudo certo. Ri pra Lucy e dei as costas pra ele.
Ok, pausa. Era só, certo? Nesse momento ele poderia muito bem ter continuado feliz na rodinha dele. Mas nããao, ele é homem e tinha que ser palhaço. Veio dançar atrás de mim. Aliás, não satisfeito, tirou o cachecol – ou sabe-se lá o que era aquele pano – do pescoço, passou em torno de mim e da Lucy e colou na gente. Fez seu showzinho, apareceu e no final segurou no braço, veio no meu ouvido para finalizar:
- As amigas da minha namorada estão aqui.
Fiz ele repetir três vezes até ter certeza. Ele até repetiu a quarta pela minha falta de reação.
- E?
- Queria dançar mais com você.
- Dança, ué.
Vocês acham que ele dançou? Não, aí sim ele voltou pra rodinha dele. Mas não deram duas músicas e ele foi embora. Já era fim de noite mesmo e Lucy e eu resolvemos fazer uma visita ao segundo andar do lugar para se despedir de umas amigas e seguirmos nosso rumo. Eis que ele estava na fila livre, leve e solto, sorrindo e acenando. Resolvi me despedir dele também.
- Tchau tchau então.
Ele deu dois beijinhos na Lucy e veio cheio de gracinha pra cima de mim, me segurando cheio de pegada e me beijando na trave.
- Qual é o seu nome?
- Ronaldo. Você?
- Eu sou a Thais, prazer. A gente se vê por aí.
- Boa dança, boa dança. A gente se vê sim.
Me deu um sorrisinho cheio de segundas intenções e fez que sim com a cabeça. Subi as escadas sorrindo com mais segundas intenções ainda pra Lucy.
No dia seguinte lembrei dele e pensei “Putz, vou adicionar!, fui e fiz. Enfim, os dias passaram e eu já tinha até esquecido da história quando Lucy apareceu aqui em casa ontem.
Começamos a partilhar as fofocas e ela me diz que encontrou o Ronaldo com a namorada em outra boate. Falou que ignorou enquanto deu, mas acabaram de esbarrando. Ele foi o quão simpático podia com a patroa por perto e ficou tudo muito bem. Mas isso me lembrou que o tinha adicionado, fui e conferir e guess what!, ele não me aceitou.
Se ainda tivesse a desculpa do álcool para dizer que não se recordava, mas não, ele deixou bem claro pra Lucy que não tinha esquecido a nossa cara.
Agora me digam, isso faz algum sentido?! Juro que não entendo!
1. Se é pra dar em cima de outras por aí, não namore;
2. Se não é pra pegar, não dá em cima;
3. Se quer disfarçar, finge que não lembra, caralho! Eu entenderia perfeitamente o recado se ele fingisse que nunca tinha me visto mais gorda.
Não acho realmente que seja pedir muito querer que sejam coerentes.

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