sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Química, tesão e amor

Certa vez li uma reportagem na Gloss sobre química. E, sim!, aquela mesma de quando a menina diz "a gente não tem química".
A reportagem vinha explicando vários lances biológicos e relacionados a costumes, até que dei de cara com um depoimento de uma menina que dizia que namorava com um cara lindo. Daqueles homens do sonho: bonitos, sensíveis, inteligentes e românticos. Tudo o que uma menina dá a vida para ter. Ela narrava o quão maravilhoso era o menino mas dizia que não tinha química (nenhuma) com o cara. Resultado? Teve que chutá-lo.
Isso me fez lembrar de algumas experiências minhas. Acho engraçado principalmente a parte biológica dos relacionamentos, porque tem tudo a ver com a variabilidade genética, filhos mais saudáveis, com menor probabilidade de ter deficiências (físicas e mentais) e por aí vai. Tudo isso sentido só por aspectos como o cheiro, o gosto e o tom de voz da outra pessoa.
Mas o que me assusta de verdade é quando o aspecto quimico atrapalha o físico ou mental. Por exemplo: você pode achar um cara bacanérrimo, só que não rola aquele encaixe de bocas. Ou então um Brad Pitt, só que não rola nada na cama. Ou até aquele mega intelectual que sabe falar sobre todos os filmes das últimas cinco décadas, mas que não tem aquela pegada. Enfim, você pode estar com o Johnny Depp na sua frente, pronto pra ser seu e te amar enlouquecidamente durante os próximos sessenta anos, mas não rola química!
Sim, é terrível. É catastrófico. É muito injusto, mas acontece. Nosso corpo é programado pra esse tipo de coisa - soa até meio cruel. Você se sente a mulher que vai ser sempre destinada aos feios e pançudinhos - e, infelizmente, não tem como lutar contra isso. Você pode até arrastar um relacionamento com um cara lindo e, quem sabe, até se casar e ter filhos com ele, mas sempre será insatisfeita amorosamente.
No entanto nós, seres humanos, seres inteligentíssimos, de vez enquando queremos fazer as coisas ao contrário. Imagine só: você amando, sei lá, o George Clooney. Coroão, ultra experiente, bom papo, dinheiro a rodo. E, assim, é amor mesmo. Você sabe que é porque você quer tudo de bom pra ele, você acha ele lindo, você quer ter filhos com ele, você quer que ele se dê muito bem na vida e seja muito feliz independente de ser com você ou não. Amor. Amor mesmo, você sabe que é. Vocês têm conversas ótimas, ele é engraçado, sarado, te leva pra bons lugares, te apresenta pessoas interessantes, faz surpresinhas romanticas e todos esses blablablas. Mas... o George Clooney berra no sexo. Ou ele aperta seus peitos demais. Ou ele gosta mais de cu do que de buceta. Ou ele adora um fio terra. Ou ele gosta de puxar cabelo de mulher na hora H. Enfim, as possibilidades são infinitas e você chega a conclusão que o ele não tem absolutamente nada a ver com você na cama. Você adora sair com ele, conversar, rir e ter papos filósoficos. Mas só de ele chegar perto pra te dar uma 'bitoca' você já lembra dos maus momentos e evita o máximo possível. É, querida, não tem química nem fudendo aí.
Acontece que a falta de química vai sempre existir. Ok, você vai perder Brad Pitts, Johnny Depps e George Clooneys e talvez trocá-los por um Wando ou um Sidney Magal. É triste, mas acontece. O importante é sempre abrir o jogo com os caras e falar que realmente não rola. Tudo bem, tem vezes que você pode dizer "não aperta aí", "vai com calma ai", "não vai tão depressa", mas coisas como o encaixe do beijo não tem muito o que se fazer. É simplesmente uma coisa de cada um e se não deu certo com você, vai dar com outra garota.
A única coisa que não pode acontecer é não ter diálogo, não ter abertura. Porque mesmo que você ache que o cara é o máximo e tenha plena consciência que você o ame, seu corpo vai pedir por caras que tenham química com você. É normal, somos programados para isso, para reproduzir com alguém diferente de nós, alguém que possa nos dar "crias" saudáveis. A partir daí entram aspectos como a traição, a culpa e o arrependimento. Tudo que poderia ser evitado com quinze ou vinte minutos de conversa.
É normal cometer esse erro. É dificil para quem fez e quem sentiu na pele esse tipo de coisa. Primeiro porque quem fez fingiu uma paixão e um tesão que não existia e que precisava ser suprido, e a pessoa que sentiu porque seu mundo desabou, uma vez que não fazia idéia do que se passava dentro da relação.
E, sim, dizer a verdade é duro. Falar o que está realmente acontece é difícil. Mas se você não for uma pessoa muito sincera desde o início, terá que soltar uma bomba de sinceridade no final, a não ser que você queira deixar as coisas semi-resolvidas e sem explicação. Sinceridade é sempre o melhor caminho, por mais que doa; o pior é enganar alguém que se ama e se quer bem.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Objetos sexuais

Sempre achei engraçado como tem um monte de mulher que se diz feminista criticando aquelas propagandas de cerveja cheias de mulheres quase nuas. Me pergunto porque diabos elas tem tanta raiva das companhias se tudo o que elas querem é subir a porcaria das vendas, enquanto quem está se sujeitando ao papel ridículo de pedaço de carne são as garotas contratadas para isso. Aliás, mesmo que elas estejam vendendo essa imagem para um monte de adolescentes desmiolados e coroas barrigudos, contanto que não se vejam dessa forma, tanto faz.
Ou seja, não interessa se você só queira pegar o seu cachê, ou goste de exibir seu corpo ou sabe-se lá quais sejam os motivos das meninas da propaganda, se meia dúzia de homens que não as conhecem irão vê-las dessa forma, elas não podem se sujeitar isso. Afinal, é claro se elas deixarem de fazer a propaganda em nome da opinião masculina, a opressão acabaria. Não.
Não nego que a sociedade seja majoritariamente machista e que ainda existam uma porrada de conceitos equivocados que vamos empurrando porque eles já foram tão embutidos que não são mais perceptíveis. Entretanto, seguindo a linha de pensamento de Hegel segundo a dialética, formulando e reformulando valores, existem três formas de pensamento: tese, antítese e síntese. Dentro dessa linha de raciocínio, o momento por nós vivenciado seria de negação, ou seja, antítese.
A tendência da antítese, no entanto, ao mesmo tempo em que nega o pensamento predominante do presente, naturalmente reafirma os valores do passado, inagurando assim um ciclo infinito ao respeito de todos os conceitos relativos a sociedade e interpretações da realidade por ela proporcionada. Desse modo, o feminismo seria puramente a negação do machismo e, além de ser fácilmente derrubado devido a tendência ao radicalismo típico da antítese, afirmaria a condição machista. Afinal, a existência de qualquer coisa ou causa é intrísceca ao oposto. Dentro desse pensamento, o machismo hoje seria sustentado pela negação proeminente ao feminismo.
Portanto é comum encontrar mulheres que necessitam da afirmação masculina dos valores feminismo. O que, apesar de ser parte de um conceito originalmente machista, representaria o feminismo extremista dentro da concepção atual.
A questão que almejei abordar incialmente é, porém, a opressão ao sexo masculino gerada pelo momento de negação hoje vivenciado.
Apesar das alegações a respeito da tendência social em interpretar a figura feminina como obejto sexual, pouco se fala sobre a cobrança em relação ao desempenho masculino. Pelos motivos antes apresentados que pregam a inversão dos valores tradicionais, o papel masculino dentro do âmbito sexual seria semelhantes ao de uma máquina.
Desse modo, não é reprovável a negação femina ao sexo, enquanto a reprovação masculina remeteria a algo vergonhoso e absurdo. Dentro desses termos opressores, pergunto-me onde teria ido parar a igualdade inicialmente almejada?
O objetivo da moral pregada pela sociadade seria não reprimir, mas imbutir valores no indivíduo, de modo que fossem tão naturais que não seriam perceptíveis sequer. Assim sendo, pelo carácter novo dessa cobrança em relação ao homem, não há ainda real noção dos efeitos psicológicos causados por essa imposição.
A ausência de percepção torna a questão ainda mais danosa, não só pelos efeitos imediatos, como pela provável negação do momento vivido atualmente que virá.
O que resta a dizer sobre a questão é que, como defensora da igualdade de gênero e devido a convicção de que não sou eu, em minha natureza feminina, um objeto sexual, de forma alguma iria impor tal condição cruel a qualquer outro ser, independente do sexo. Assim, finalizo o post (admito que ainda confuso), dizendo que a minha segurança em relação ao que sou está diretamente ligada a forma com que interpreto o que está ao meu redor.