Certa vez li uma reportagem na Gloss sobre química. E, sim!, aquela mesma de quando a menina diz "a gente não tem química".
A reportagem vinha explicando vários lances biológicos e relacionados a costumes, até que dei de cara com um depoimento de uma menina que dizia que namorava com um cara lindo. Daqueles homens do sonho: bonitos, sensíveis, inteligentes e românticos. Tudo o que uma menina dá a vida para ter. Ela narrava o quão maravilhoso era o menino mas dizia que não tinha química (nenhuma) com o cara. Resultado? Teve que chutá-lo.
Isso me fez lembrar de algumas experiências minhas. Acho engraçado principalmente a parte biológica dos relacionamentos, porque tem tudo a ver com a variabilidade genética, filhos mais saudáveis, com menor probabilidade de ter deficiências (físicas e mentais) e por aí vai. Tudo isso sentido só por aspectos como o cheiro, o gosto e o tom de voz da outra pessoa.
Mas o que me assusta de verdade é quando o aspecto quimico atrapalha o físico ou mental. Por exemplo: você pode achar um cara bacanérrimo, só que não rola aquele encaixe de bocas. Ou então um Brad Pitt, só que não rola nada na cama. Ou até aquele mega intelectual que sabe falar sobre todos os filmes das últimas cinco décadas, mas que não tem aquela pegada. Enfim, você pode estar com o Johnny Depp na sua frente, pronto pra ser seu e te amar enlouquecidamente durante os próximos sessenta anos, mas não rola química!
Sim, é terrível. É catastrófico. É muito injusto, mas acontece. Nosso corpo é programado pra esse tipo de coisa - soa até meio cruel. Você se sente a mulher que vai ser sempre destinada aos feios e pançudinhos - e, infelizmente, não tem como lutar contra isso. Você pode até arrastar um relacionamento com um cara lindo e, quem sabe, até se casar e ter filhos com ele, mas sempre será insatisfeita amorosamente.
No entanto nós, seres humanos, seres inteligentíssimos, de vez enquando queremos fazer as coisas ao contrário. Imagine só: você amando, sei lá, o George Clooney. Coroão, ultra experiente, bom papo, dinheiro a rodo. E, assim, é amor mesmo. Você sabe que é porque você quer tudo de bom pra ele, você acha ele lindo, você quer ter filhos com ele, você quer que ele se dê muito bem na vida e seja muito feliz independente de ser com você ou não. Amor. Amor mesmo, você sabe que é. Vocês têm conversas ótimas, ele é engraçado, sarado, te leva pra bons lugares, te apresenta pessoas interessantes, faz surpresinhas romanticas e todos esses blablablas. Mas... o George Clooney berra no sexo. Ou ele aperta seus peitos demais. Ou ele gosta mais de cu do que de buceta. Ou ele adora um fio terra. Ou ele gosta de puxar cabelo de mulher na hora H. Enfim, as possibilidades são infinitas e você chega a conclusão que o ele não tem absolutamente nada a ver com você na cama. Você adora sair com ele, conversar, rir e ter papos filósoficos. Mas só de ele chegar perto pra te dar uma 'bitoca' você já lembra dos maus momentos e evita o máximo possível. É, querida, não tem química nem fudendo aí.
Acontece que a falta de química vai sempre existir. Ok, você vai perder Brad Pitts, Johnny Depps e George Clooneys e talvez trocá-los por um Wando ou um Sidney Magal. É triste, mas acontece. O importante é sempre abrir o jogo com os caras e falar que realmente não rola. Tudo bem, tem vezes que você pode dizer "não aperta aí", "vai com calma ai", "não vai tão depressa", mas coisas como o encaixe do beijo não tem muito o que se fazer. É simplesmente uma coisa de cada um e se não deu certo com você, vai dar com outra garota.
A única coisa que não pode acontecer é não ter diálogo, não ter abertura. Porque mesmo que você ache que o cara é o máximo e tenha plena consciência que você o ame, seu corpo vai pedir por caras que tenham química com você. É normal, somos programados para isso, para reproduzir com alguém diferente de nós, alguém que possa nos dar "crias" saudáveis. A partir daí entram aspectos como a traição, a culpa e o arrependimento. Tudo que poderia ser evitado com quinze ou vinte minutos de conversa.
É normal cometer esse erro. É dificil para quem fez e quem sentiu na pele esse tipo de coisa. Primeiro porque quem fez fingiu uma paixão e um tesão que não existia e que precisava ser suprido, e a pessoa que sentiu porque seu mundo desabou, uma vez que não fazia idéia do que se passava dentro da relação.
E, sim, dizer a verdade é duro. Falar o que está realmente acontece é difícil. Mas se você não for uma pessoa muito sincera desde o início, terá que soltar uma bomba de sinceridade no final, a não ser que você queira deixar as coisas semi-resolvidas e sem explicação. Sinceridade é sempre o melhor caminho, por mais que doa; o pior é enganar alguém que se ama e se quer bem.
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