Mais ou menos no C.A. eu era um escândalo na escola. Não que eu fosse muito popular (ou o contrário) mas porque eu me recusava a fazer parte do clube das Luluzinhas. Vocês devem estar imaginando que eu fosse um daqueles projetos de fancha-mirim que joga futebol e se recusa a usar lacinho. Felizmente, nunca foi o caso. Pelo contrário, eu mudava o meu penteado todos os dias, era excessivamente vaidosa e tinha todo tipo de apetrecho rosa e fofucho. Porém, eu tinha dois melhores amigos que passavam o recreio falando sobre Harry Potter comigo. Eles eram uns amores e faziam com que eu ganhasse o concurso de mais bonita da sala todos os anos votando em mim.
Até o final da 6ª série todo mundo ainda comentava o absurdo que era eu andar no meio de um monte de garotos. E então algo inédito aconteceu: eu arrumei um pseudo namorado. Isso foi suficiente para que todos os meus grandes "amigos" ficassem morrendo de raiva e passassem a me detestar.
Como eu já havia superado a minha fase Harry Potter e estava mesmo de saco cheio de todas aquelas bobagens pré-adolescentes, arrumei um grupo de meninas e foi uma maravilha. Elas eram muito mais maduras, entendiam sobre tudo o que eu falava e eu tinha companhia até para a depilação! E essas foram as únicas amigas que eu fiz.
Não que eu não aprecie a companhia feminina, muito pelo contrário, sinto falta de ter mais amigas do mesmo sexo. Mas mulher é um bicho muito mais esperto e cínico que o homem.
Isso quer dizer que quando eu conheço um cara e nós começamos a conversar as intenções dele ficam muito claras. Há duas variáveis que são mais comuns:
1. Ele está olhando fixamente para os meus peitos, é óbvio que ele não está ouvindo o que eu estou dizendo e está só esperando uma deixa, melhor partir pra outra.
2. Ele está olhando para os meus peitos e para a minha cara, provavelmente ele está interessado no que eu estou falando mas mesmo assim está esperando uma deixa. Esse pode vir a ser um amigo.
É claro que isso foi uma generalização e tudo pode ser muito diferente. O ponto é que homens costumam ser muito sinceros - e óbvios - enquanto uma mulher poderia muito bem passar uma noite inteira conversando comigo e me chamar de vadia no dia seguinte (sem que eu nunca desconfiasse de nada).
Todos esses fatores aliados com o fato de que a proporção de homens que vem conversar comigo é infinitamente maior que a de mulheres fizeram com que a maior parte do meu círculo de amizade seja masculino.
Porém, meu círculo de amigos - como o da grande maioria das pessoas - é constantemente ampliado. E aí começam os meus problemas.
A pouco tempo atrás eu estava colocando o papo em dia com um conhecido e comecei a notar segundas intenções no assunto e resolvi que era a minha hora de ir embora, no que ele me diz:
"- Mas eu nem fiz nada ainda!".
E ele realmente não tinha. Mas trair não é sair beijando qualquer um por aí com o seu namorado longe.
Existe todo um processo por trás de ficar alguém chamado flerte que faz parte do ficar em si. Então me perdoem os adeptos dessa prática, mas se você passa a noite inteira flertando com alguém e no final dá dois beijinhos e joga o dito cujo pra geladeira, me desculpe, mas a sua fidelidade está abalada.
E o meu problema é justamente esse. Eu aprendi a dar certa abertura para todo mundo que vinha falar comigo e deixar que ela fosse mal interpretada temporariamente e conquistei diversos amigos assim, inclusive os que dizem que tem nojo só de me imaginar pelada e até que se descobriram gays depois!
Enfim, estou aberta a sugestões. Se quiserem me indicar bons lugares para fazer amigos e amigas sem segundas intenções ou falsidade, sou toda ouvidos!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Felinos
Meus animais favoritos são - desde os oito anos, antes disso eu gostava de hipopótamos - os gatos. Eles são independentes, ágeis e lindos de serem observados. Além de que às vezes você se depara com aquele gatinho super fujão e que não quer atender aos seus assobios, mas aos pouquinhos, ganhando a confiança dele você consegue dar um afago do meio das costas até o rabo, o que traz um sentimento de "a ha! consegui!".
Já tive algumas experiências principalmente com gatos de rua onde eu os via, chamava-os para perto e começavam os afagos. Aaah.. são nessas horas que você pensa que daria tudo pr'aquele gatinho! Amor, comida e caixa de areia lavada, além de uma casinha pra morar, arranjaria um namorado(a) pra ele(a) não se sentir sozinho, cuidaria dos filhotinhos dele e... no meio da divagação o gato vai embora.
Você fica um tempo olhando pro nada, pensando "ei! mas eu ia te dar amor, comida e caixa de areia lavada!" como se ele tivesse consciência de seus pensamentos. Logo depois você vai perceber que aquele serzinho era só um gato e que ele queria só um pouquinho de carinho. Provavelmente ele adorou os momentos de amor que vocês tiveram, mas quando bateu a satisfação ele simplesmente levantou e seguiu seu rumo.
Existem, tais como os gatos, pessoas assim. Pessoas felinas costumam ser vistas como egocêntricas, hedonistas e egoístas quando, na verdade, acabam só cedendo ao instinto mais gostoso que tem: a vontade de receber carinho.
Dar carinho também pode ser muito bom, mas quem não gosta de se sentir amado e desejado? É preciso aprender com pessoas e situações que podem parecer felinas sem achar que o problema é com você ou que a outra pessoa é que não presta, mas sim se render a nossos caprichos instintivos que, na teoria, não eram para magoar ninguém.
A verdade é que queremos dar só quando sabemos que vamos receber algo em troca. Uma pessoa que parece não ter nada a oferecer simplesmente não parece interessante, quando na verdade pode vir a ser uma ótima companhia e vocês podem tranquilamente chegar num acordo. Basicamente isso pode vir a se tornar uma relação casual muito da agradável onde não é uma obrigação amar o outro e se preocupar mais com ele do que consigo (ou fingir que se preocupa), e é por isso que relações casuais são tão agradáveis: você se sente mais humano, com toda a sua vontade de satisfação própria e egocentrismo transbordando.
Veja bem, não estou influenciando o egoísmo de vocês, só estou dizendo que de vez enquando é bom se sentir meio felino, receber carinho e ir embora a hora que você bem entender! Ou vão dizer que não?
Já tive algumas experiências principalmente com gatos de rua onde eu os via, chamava-os para perto e começavam os afagos. Aaah.. são nessas horas que você pensa que daria tudo pr'aquele gatinho! Amor, comida e caixa de areia lavada, além de uma casinha pra morar, arranjaria um namorado(a) pra ele(a) não se sentir sozinho, cuidaria dos filhotinhos dele e... no meio da divagação o gato vai embora.
Você fica um tempo olhando pro nada, pensando "ei! mas eu ia te dar amor, comida e caixa de areia lavada!" como se ele tivesse consciência de seus pensamentos. Logo depois você vai perceber que aquele serzinho era só um gato e que ele queria só um pouquinho de carinho. Provavelmente ele adorou os momentos de amor que vocês tiveram, mas quando bateu a satisfação ele simplesmente levantou e seguiu seu rumo.
Existem, tais como os gatos, pessoas assim. Pessoas felinas costumam ser vistas como egocêntricas, hedonistas e egoístas quando, na verdade, acabam só cedendo ao instinto mais gostoso que tem: a vontade de receber carinho.
Dar carinho também pode ser muito bom, mas quem não gosta de se sentir amado e desejado? É preciso aprender com pessoas e situações que podem parecer felinas sem achar que o problema é com você ou que a outra pessoa é que não presta, mas sim se render a nossos caprichos instintivos que, na teoria, não eram para magoar ninguém.
A verdade é que queremos dar só quando sabemos que vamos receber algo em troca. Uma pessoa que parece não ter nada a oferecer simplesmente não parece interessante, quando na verdade pode vir a ser uma ótima companhia e vocês podem tranquilamente chegar num acordo. Basicamente isso pode vir a se tornar uma relação casual muito da agradável onde não é uma obrigação amar o outro e se preocupar mais com ele do que consigo (ou fingir que se preocupa), e é por isso que relações casuais são tão agradáveis: você se sente mais humano, com toda a sua vontade de satisfação própria e egocentrismo transbordando.
Veja bem, não estou influenciando o egoísmo de vocês, só estou dizendo que de vez enquando é bom se sentir meio felino, receber carinho e ir embora a hora que você bem entender! Ou vão dizer que não?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Os "ex"
Todo mundo - ou quase - nota que é só começar a namorar que o interesse do sexo oposto por você parece triplicar. Você estava lá, livre, leve e solta, sem receber nenhuma ligação no sábado a noite, foi se comprometer e de repente, pimba! seu celular parece que se mudou pra Salvador e em fevereiro.
Não sei se é aquela velha história de que as pessoas só dão valor quando perdem ou se tudo que é proibido é mais gostoso, mas é o tipo da coisa que não faz sentido para mim. Não só pela visão que tenho em relação a traição, mas pelo número de pessoas que ressurgiram das cinzas. É que surgiu uma interrogação enorme na minha cabeça e eu me pergunto "Por que diabos agora?!".
Você saia com o cara todo fim de semana por meses a fio e ele parou de te ligar. Parou de se interessar pelas suas histórias, passou a estar sempre ocupado.. e então ele vem te falar que você é linda e se lamentar pelo seu namoro. E, apesar de ser tão cínica o possível quando eu quero, não seguro minha língua nessas horas não.
"E por que voce não me procura mais?"
"Eeeeu?! Mas você tá namorando!"
E seguem as desculpas.
Então volta um qualquer que você conheceu no verão e pintou um clima mas nunca chegaram nos finalmentes e diz "Mas poooxa, você tinha que namorar logo agora??", como se você não conhecesse ele a anos.
Vem um ex e te questiona sobre a sua fidelidade. Aparece aquele cara que estava sempre enrolado com os milhares de relacionamentos dele e ele tá desempedido para você.
E então, querida, então você se lembra que nenhum deles te quis nos seus domingos solitários.
Não sei se é aquela velha história de que as pessoas só dão valor quando perdem ou se tudo que é proibido é mais gostoso, mas é o tipo da coisa que não faz sentido para mim. Não só pela visão que tenho em relação a traição, mas pelo número de pessoas que ressurgiram das cinzas. É que surgiu uma interrogação enorme na minha cabeça e eu me pergunto "Por que diabos agora?!".
Você saia com o cara todo fim de semana por meses a fio e ele parou de te ligar. Parou de se interessar pelas suas histórias, passou a estar sempre ocupado.. e então ele vem te falar que você é linda e se lamentar pelo seu namoro. E, apesar de ser tão cínica o possível quando eu quero, não seguro minha língua nessas horas não.
"E por que voce não me procura mais?"
"Eeeeu?! Mas você tá namorando!"
E seguem as desculpas.
Então volta um qualquer que você conheceu no verão e pintou um clima mas nunca chegaram nos finalmentes e diz "Mas poooxa, você tinha que namorar logo agora??", como se você não conhecesse ele a anos.
Vem um ex e te questiona sobre a sua fidelidade. Aparece aquele cara que estava sempre enrolado com os milhares de relacionamentos dele e ele tá desempedido para você.
E então, querida, então você se lembra que nenhum deles te quis nos seus domingos solitários.
Namoros
Namorar. Eu sempre tive meu jeito próprio de encarar essa pequena palavra tão presente e até talvez tão assustadora. Aliás, namoro é uma das poucas coisas que não divido a mesma opinião com minha amada companheira e escritora, mas já estamos acostumadas com nossas opiniões polêmicas.
Mesmo toda mulher que gosta de conviver com bons cafajestes também podem arrumar namoros (veja só!) mas uma coisa é certa: todas esperamos o mesmo dessa relação tão casual e tão séria ao mesmo tempo.
Ao meu ver namoros são coisas completamente egocêntricas, mas o que não é? Somos seres que naturalmente nos vemos em primeiro lugar e isso não deve ser de forma alguma censurado, e se for, não passa de pura hipocrisia.
Falo isso porque todos nós, homens e mulheres, queremos ser amados e desejados, e nada melhor que um namoro, onde há uma super devoção de ambas as partes, para se amar sem riscos e desconfianças. Na teoria pelo menos.
Um namoro serve, basicamente, para uma troca mútua de carinhos. Tudo bem que não precisa ser imposta uma nomenclatura nem nada do gênero para isso, mas uma vez que é imposta não há problemas para com isso. Toda menina, mesmo que sempre tenha se afinado melhor com caras que não querem nada e que são puramente ”cafajestes”, esperam de um namoro (com alguém que julgam mais apropriado) só atenção e carinho. Somos todas iguais nesse ponto: se começamos a namorar é porque realmente nos interessamos pela pessoa em questão e queremos ser amadas por ela.
Eu sei, é um texto cheio de melações de menininha, mas é a pura verdade e a pura expectativa que colocamos em um relacionamento. Parece que até as meninas mais maduras e independentes viram vítimas indefesas em seus respectivos namoros, e não há nada de mau nisso!, é bom se sentir vulnerável e ter alguém parar aparar as lágrimas não por ter um laço sanguíneo ou de obrigação com você (me desculpem as mães) mas por simplesmente gostar do que você é da forma mais egocêntrica possível. Sem ofensas.
Namorar é muito bom. Parece que nada vai te abalar pelo simples fato de que há alguém sempre ali pra você. E o que é mais gratificante é ser você mesmo sabendo que o outro te entenderá por amá-lo da forma que você é.
Namoros não acontecem por conveniência ou porque você corre atrás deles, isso é o mais bacana: eles simplesmente acontecem na hora e no momento certo e isso os dão mais importância e veracidade.
Fecho então essa minha série (uns três textos?) quase que inteiramente dedicada a namoros e suas vertendes escrevendo uma coisa uma vez boa deste. Feliz ano novo galerinha, e boa sorte com seus namoros!