terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Felinos

Meus animais favoritos são - desde os oito anos, antes disso eu gostava de hipopótamos - os gatos. Eles são independentes, ágeis e lindos de serem observados. Além de que às vezes você se depara com aquele gatinho super fujão e que não quer atender aos seus assobios, mas aos pouquinhos, ganhando a confiança dele você consegue dar um afago do meio das costas até o rabo, o que traz um sentimento de "a ha! consegui!".
Já tive algumas experiências principalmente com gatos de rua onde eu os via, chamava-os para perto e começavam os afagos. Aaah.. são nessas horas que você pensa que daria tudo pr'aquele gatinho! Amor, comida e caixa de areia lavada, além de uma casinha pra morar, arranjaria um namorado(a) pra ele(a) não se sentir sozinho, cuidaria dos filhotinhos dele e... no meio da divagação o gato vai embora.
Você fica um tempo olhando pro nada, pensando "ei! mas eu ia te dar amor, comida e caixa de areia lavada!" como se ele tivesse consciência de seus pensamentos. Logo depois você vai perceber que aquele serzinho era só um gato e que ele queria só um pouquinho de carinho. Provavelmente ele adorou os momentos de amor que vocês tiveram, mas quando bateu a satisfação ele simplesmente levantou e seguiu seu rumo.
Existem, tais como os gatos, pessoas assim. Pessoas felinas costumam ser vistas como egocêntricas, hedonistas e egoístas quando, na verdade, acabam só cedendo ao instinto mais gostoso que tem: a vontade de receber carinho.
Dar carinho também pode ser muito bom, mas quem não gosta de se sentir amado e desejado? É preciso aprender com pessoas e situações que podem parecer felinas sem achar que o problema é com você ou que a outra pessoa é que não presta, mas sim se render a nossos caprichos instintivos que, na teoria, não eram para magoar ninguém.
A verdade é que queremos dar só quando sabemos que vamos receber algo em troca. Uma pessoa que parece não ter nada a oferecer simplesmente não parece interessante, quando na verdade pode vir a ser uma ótima companhia e vocês podem tranquilamente chegar num acordo. Basicamente isso pode vir a se tornar uma relação casual muito da agradável onde não é uma obrigação amar o outro e se preocupar mais com ele do que consigo (ou fingir que se preocupa), e é por isso que relações casuais são tão agradáveis: você se sente mais humano, com toda a sua vontade de satisfação própria e egocentrismo transbordando.
Veja bem, não estou influenciando o egoísmo de vocês, só estou dizendo que de vez enquando é bom se sentir meio felino, receber carinho e ir embora a hora que você bem entender! Ou vão dizer que não?

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