terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mulheres que não servem pra namorar

Faz algum tempo que eu venho notando uma certa dificuldade em namoros. Atualmente vários de meus amigos estão namorando, felizes e contentes com seus respectivos parceiros e às vezes me pergunto quando é que eu vou arranjar a minha metade da laranja.
Na realidade não é o tipo da coisa que eu corra atrás, não me preocupo de estar ou não namorando (claro que aos domingos chuvosos, com um filme do Godard alugado e champagne em casa você sente um pouco falta haha). Esses dias, no entanto, resolvi organizar na minha cabeça se existe, realmente, um perfil de namorada ou não.
Todo mundo namora, inclusive uma menina de rua que uma vez veio me pedir dinheiro em São Cristóvão e falou "Pô, meu namorado sempre fala isso!". Não importa se você gosta de Mr. Catra ou Johnny Cash, todo mundo namora.
Acontece que chegamos num momento em que o sexo frágil não é mais o feminino, e sim o masculino. Temos que concordar que nós, meninas, temos muito mais controle sob os homens. Com um simples decote, um cruzar de pernas ou até um "eu gosto de futebol" haha.
O contraponto é: insegurança. As mulheres chegaram num estágio de tamanho ativismo que eles se sentem acoados, às vezes. Como por exemplo certa vez que estava com uma amiga em uma festa, um moçoilo lindíssimo estava olhando pra ela a noite inteira mas só na hora que ela estava indo embora e que virou pra ele e disse "Eu tô indo embora, não vou ganhar nem um beijo de despedida?" é que as coisas começaram a fluir. Cantada de pedreiro, talvez haha, mas nem isso o pobre garoto conseguiu fazer.
A preferência para namoros, no entanto, são as meninas mais quietinhas, as que os caras sabem que não os vão trair. A que não põe um decote, que não dança e que não tem uma vida independente dele. É impressionante o quanto as pessoas tornam-se dependentes na maioria dos relacionamentos sérios, dando satisfações do que fazem ou deixam de fazer quando o outro não está por perto.
Meninas que normalmente são muito carentes, que precisam que joguem a auto-estima delas para cima e que fazem pose de virgem são preferência indubitável. Afinal, se o cara a trair ele vai ser facilmente perdoado (uma vez que ela precisa dele para suprir suas carências), vai achar ele o cara mais fofo do mundo por falar que ela é tão bonita e o rapaz, mesmo recebendo um sexo oral de anos de técnica, ainda vai jurar de pé junto que foi o primeiro dela. Muito satisfatório!
Mulheres que tem amigas, saem, bebem seus martinis e champagnes e saem muitas vezes só pra dançar (ao invés de ficar caçando homens) tendem a parecer mais perigosas. Claro que vão ser ótimas companhias para um motel naquela noite ou um barzinho na semana seguinte, de repente até consiga um lugar especial na geladeira, mas nunca vão passar disso. Porque são boas demais, são agradáveis demais e se são assim com um cara, serão com outros também, isso causa uma puta insegurança.
São pouquíssimos os relacionamentos que eu conheço em que cada um tem a sua vida particular e ambos só se gostam. Mas é isso, estar em um relacionamento com uma pessoa é simplesmente gostar muito dela, e gostar de tudo: das conversas, do sexo, das qualidades e dos defeitos. Criar essa dependência obsessiva tornou-se algo doentio e é visto como absolutamente normal, quando na verdade não é.
Se for pra ficar dependente de um homem, eu prefiro ficar encalhada pro resto da vida rachando o motel, me perdoem as namoradas!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Finja interesse

Antes de tudo eu gostaria de dizer que sou super a favor de satisfação pessoal, afinal todos queremos, de vez em quando, um pente e rala (como diriam alguns de meus amigos haha) por simples capricho ou porquê alguém te atraiu mas foi apenas algo carnal.
Isso é absolutamente normal! Nós não somos seres monogâmicos e isso é mais do que óbvio. Nossos instintos falam mais alto às vezes e não tem nada de mau em satisfazê-los. Agora.. só não dá para perder a noção. Vou-lhes contar uma história:

Certa vez estava voltando pra casa quando me deparo com um linda surpresa: Um sanfonista tocando numa cafeteria na esquina da minha casa!
Acho sanfona um instrumento absolutamente lindo, é super completo e você tem que ter boa coordenação motora (úh!) para manejá-la. Ou seja, um ótimo instrumento.
Eis que comecei a parar toda sexta-feira para ouvir o tal sanfonista fazer sua arte. Parava, escutava uma ou duas músicas e ia para casa. Até aí tudo bem.
Certa vez, no entando, eu parei para ouvir as músicas, subi e me liguei que tinha que comprar algumas coisas no supermercado. Vesti uma roupa e desci. E quem encontro sentado na esquina? O sanfonista!
Na hora que o avistei eu estava no telefone com a amada escritora do blog, desliguei toda animada e fui logo bancando a íntima, dei dois beijinhos e tudo (fiquei nervosa! Ele era profissional e eu tenho problemas cardíacos com músicos) e perguntei seu nome - que obviamente não convêm citá-lo aqui -, ele me disse super simpático e perguntou o meu. Perfeito.
Eu disse que estava com pressa e que o via na outra semana. E assim se seguiu.
Uma semana depois eu esperei ele terminar de tocar e levei-o até o metrô. Conversamos um pouquinho, eu descobri que ele morava no bairro ao lado, fazia faculdade de arquitetura e, enfim, um cara inteligente, simpático e músico! O que eu podia querer mais? haha
Ao se despedir de mim ele perguntou se eu não queria fazer alguma coisa na semana seguinte e eu topei. Ah! Ele perguntou meu nome de novo porque disse que não lembrava, eu entendi, afinal não era tão fácil assim lembrar do nome das pessoas, eu sempre tive esse tipo de dificuldade. Beleza, mais sete dias se passaram.
Na semana seguinte eu estava em pé ouvindo ele tocar. Chegou na esquina um moçoilo lindo, com uma guitarra nas costas, e parou pra ouvir também. Pensei, "Não, menina, você já tem foco, se controla" e ignorei. Depois de um tempo o menino da guitarra sentou num canteiro e minutos depois eu me juntei a ele.
Ele começou a enrolar um tabaco e o fez com tanta sagacidade que eu tive que elogiar. Ele me deu um sorriso e disse que eram "os anos de experiência" hahahah.
Um pouco depois o sanfonista terminou de tocar, veio falar comigo e falou que a mãe dele estava sentada na mesa, que era para eu me sentar também. Logo depois disso ele virou pra mim e perguntou (de novo): "Qual o seu nome mesmo? Eu sempre esqueço". Respondi impaciente pela terceira vez e já estava me martirizando por ter aceitado sair e, ainda por cima, ter deixado o guitarrista sentadinho no canteiro!
Dito e feito sentei-me na mesa com a mãe dele e uma amiga dela. Batemos um papo e logo de início eu percebi que ele era meio impaciente com ela. Tudo bem, relevei. Terminamos de conversar e fomos prum barzinho perto da praia. Conversa vai, conversa vem, entramos no papo de monogamia/poligamia e ele me solta a seguinte frase: "Putz! Eu também não concordo com essa parada de monogamia. Por exemplo, eu tenho namorada e tô aqui conversando com você".
Eu disse: "Isso não quer dizer nada, ué".
Ele: "Ainda não".
Ok! Não tenho problemas com sinceridades, gosto delas. Acho que você tem que deixar claro quando quer alguma coisa, bacana.
Enfim, acabamos saindo do bar e indo para a praia onde eu - que já não estava nos mais sóbrios momentos - ainda por cima fui assaltada. Depois disso ele nem chegou a me levar na porta de casa, o ônibus dele tava passando na rua e ele disse "Você se incomoda se eu pegar esse ônibus ai?". Eu disse "Não, vai lá" e ele correu pra pegá-lo.
Cheguei em casa e a primeira coisa que pensei foi: aposto que ele nem sabia meu nome.
Conclusão? Nunca deixe um guitarrista que aperta tabacos incrivelmente bem sentado num canteiro qualquer, por favor!

Haha, ok, voltando ao foco: é total e completamente normal que você se atraia só fisicamente por uma pessoa ou vice-versa. E, sabe, aproveite esses momentos. Mas cuidado com quem você está se metendo e aonde está se metendo. Eu particularmente gosto de pegar as pessoas para conhecê-las melhor, nem que seja pra pegar uma só vez e depois sair algumas vezes pra bater um papo, ou encontrar em uma festa, show, praia, enfim. Você pode deixar claro que só quer comer a pessoa em questão, mas pelo menos finja algum interesse, né. Se você não se lembra do nome da garota ou garoto, não pergunte novamente (ainda mais quando você souber que vai pegá-lo(a)). Faça no mínimo a pessoa se sentir confortável e, principalmente, mostre que você consegue aguentar com as consequências de seus atos.
Ah! E vocês já devem ter escutado a seguinte frase "Observe como um homem trata a mãe que será assim que ele a tratará". Eu fiquei com uma péssima impressão do sanfonista por ele ter sido grosso com a mãe, parecia um adolescente de quinze anos tentando mostrar que é rebelde e que a mãe não mandava nele.
E, afinal, se eu ainda o vejo? Faço o caminho mais comprido todas as sextas-feiras, mas nunca mais passei por aquela esquina (nem pra me certificar se o guitarrista tinha voltado!)

domingo, 8 de agosto de 2010

Sobre atum e pedidos de desculpa

Nem eu, nem minha parceira de blog (e piriguetagem) estávamos com ideias para inaugurar o blog. Eis que estava fazendo minha unha ainda a pouco e lembrei de um causo que me aconteceu uns tempos atrás. Nada muito profundo, mas me pareceu um bom começo.
Saía com esse cara já fazia um tempinho e estava apresentando uns sinais de esgotamento, o que ele não deixou passar desapercebido. Nessa noite em particular, era aniversário de um amigo dele, em um apartamento perto da minha casa. Típica festinha adolescente, com uns drinks meio suspeitos e cerveja não muito gelada, resolvi que não ia beber. O meu acompanhante pelo contrário, virou inúmeras doses de sabe-se-lá-o-diabo-o-que (desconfio que fosse vodka com tabasco, tsc) e pouco tempo depois já estava me dizendo uma meia dúzia de baboseiras.
Nada que tenha me incomodado muito, continuei sem beber e até socializei com uma ou outra amiga dele que eu já conhecia.
Enfim, havia uma mesinha com uns beliscos que ele visitava com certa frequência, entre um drink e outro. Lá pelas tantas e mais algumas visitas à mesa, ele me deu um beijo com um gosto inconfundível de.. atum.
Olha, eu juro que não sou fresca pra comer mas, se tem uma coisa que eu não suporto, são frutos do mar. De resto, só não como cebola crua. Ok, beleza, não tinha como o cara saber (ainda que eu ache que tenha faltado um pouco de senso), mas eu também não tinha tanto intimidade assim pra falar na cara dura que eu me sentia beijando um atum e comecei a me esquivar dele.
Acho que ele começou a ficar mais sóbrio nessa hora, deve ter se lembrado da meia dúzia de baboseiras que ele tinha me dito e ligou os fatos que não estavam relacionados.
Só sei que daí pra frente ele não parava de me perguntar o que estava acontecendo e me acusar (!!) de negar explicações a ele. Passada essa primeira fase, ele tentou se desculpar me dando inúmeros beijinhos e sendo excessivamente carinhoso. Depois de uns cinco minutos nesse lenga-lenga meu corpo inteiro já estava fedendo a atum (acho que ele fez uma nova visita a mesa) e o desespero tava subindo.
Aproveitei que alguns amigos dele estavam se mobilizando para ir embora e sugeri que fossemos junto. Ele ainda me enrolou mais um pouco, mas como uma amiga dele pretendia ir no mesmo táxi e começou a colocar pressão também, acabou cedendo.
No táxi ele estava totalmente convencido de que eu estava revoltada com ele e não parava de me alfinetar (isso porque a amiga dele estava sentada no banco dianteiro, acho que a pobre só não desistiu da carona porque não chegaria em casa de outra forma).
Enfim, depois disso eu tomei aversão ao cara e acabamos parando de nos ver de vez.
Moral da história: Não insistam muito em pedidos de desculpa e/ ou explicações, do contrário, podem acabar piorando o que não estava tão ruim assim pra vocês.