segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Objetos sexuais

Sempre achei engraçado como tem um monte de mulher que se diz feminista criticando aquelas propagandas de cerveja cheias de mulheres quase nuas. Me pergunto porque diabos elas tem tanta raiva das companhias se tudo o que elas querem é subir a porcaria das vendas, enquanto quem está se sujeitando ao papel ridículo de pedaço de carne são as garotas contratadas para isso. Aliás, mesmo que elas estejam vendendo essa imagem para um monte de adolescentes desmiolados e coroas barrigudos, contanto que não se vejam dessa forma, tanto faz.
Ou seja, não interessa se você só queira pegar o seu cachê, ou goste de exibir seu corpo ou sabe-se lá quais sejam os motivos das meninas da propaganda, se meia dúzia de homens que não as conhecem irão vê-las dessa forma, elas não podem se sujeitar isso. Afinal, é claro se elas deixarem de fazer a propaganda em nome da opinião masculina, a opressão acabaria. Não.
Não nego que a sociedade seja majoritariamente machista e que ainda existam uma porrada de conceitos equivocados que vamos empurrando porque eles já foram tão embutidos que não são mais perceptíveis. Entretanto, seguindo a linha de pensamento de Hegel segundo a dialética, formulando e reformulando valores, existem três formas de pensamento: tese, antítese e síntese. Dentro dessa linha de raciocínio, o momento por nós vivenciado seria de negação, ou seja, antítese.
A tendência da antítese, no entanto, ao mesmo tempo em que nega o pensamento predominante do presente, naturalmente reafirma os valores do passado, inagurando assim um ciclo infinito ao respeito de todos os conceitos relativos a sociedade e interpretações da realidade por ela proporcionada. Desse modo, o feminismo seria puramente a negação do machismo e, além de ser fácilmente derrubado devido a tendência ao radicalismo típico da antítese, afirmaria a condição machista. Afinal, a existência de qualquer coisa ou causa é intrísceca ao oposto. Dentro desse pensamento, o machismo hoje seria sustentado pela negação proeminente ao feminismo.
Portanto é comum encontrar mulheres que necessitam da afirmação masculina dos valores feminismo. O que, apesar de ser parte de um conceito originalmente machista, representaria o feminismo extremista dentro da concepção atual.
A questão que almejei abordar incialmente é, porém, a opressão ao sexo masculino gerada pelo momento de negação hoje vivenciado.
Apesar das alegações a respeito da tendência social em interpretar a figura feminina como obejto sexual, pouco se fala sobre a cobrança em relação ao desempenho masculino. Pelos motivos antes apresentados que pregam a inversão dos valores tradicionais, o papel masculino dentro do âmbito sexual seria semelhantes ao de uma máquina.
Desse modo, não é reprovável a negação femina ao sexo, enquanto a reprovação masculina remeteria a algo vergonhoso e absurdo. Dentro desses termos opressores, pergunto-me onde teria ido parar a igualdade inicialmente almejada?
O objetivo da moral pregada pela sociadade seria não reprimir, mas imbutir valores no indivíduo, de modo que fossem tão naturais que não seriam perceptíveis sequer. Assim sendo, pelo carácter novo dessa cobrança em relação ao homem, não há ainda real noção dos efeitos psicológicos causados por essa imposição.
A ausência de percepção torna a questão ainda mais danosa, não só pelos efeitos imediatos, como pela provável negação do momento vivido atualmente que virá.
O que resta a dizer sobre a questão é que, como defensora da igualdade de gênero e devido a convicção de que não sou eu, em minha natureza feminina, um objeto sexual, de forma alguma iria impor tal condição cruel a qualquer outro ser, independente do sexo. Assim, finalizo o post (admito que ainda confuso), dizendo que a minha segurança em relação ao que sou está diretamente ligada a forma com que interpreto o que está ao meu redor.

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